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Arquivo de março, 2010

Invertendo os valores (II)

29, março, 2010 Sem comentários
Interessante como o processo eleitoral nos revela, ou nos faz aflorar conceitos que nem sabíamos ou não nos dávamos conta possuir. Diria até que o processo eleitoral, pela característica que possui em acirrar os ânimos dos eleitores-partidários e causar a costumeira inquietação nos “sem-partido”, é um processo de auto-descoberta, de auto-revelação – se estivermos dispostos a enxergar nossos atos e posições diante do processo. De repente, aquele que se acreditava honesto, coerente, passa a justificar atos nefastos praticados por seus representantes apenas para não ter que se justificar por escolhas passadas, como se não pudéssemos errar, cometer equívocos de avaliação e julgamento. Já outros, por ingenuidade, passam a condenar a coletividade pelo erro de uma minoria que normalmente está na liderança. Como se dentro dos partidos ou agrupamentos político-sociais não existissem esses mesmos conflitos identificados na vida [macro]social. É apenas reflexo do que é, verdadeiramente, a sociedade na qual estamos mergulhados.

E é um fenômeno tão envolvente que passamos a acreditar que todas as injustiças e ilegalidades são aceitáveis, toleráveis e justificáveis. Foi assim durante uma conversava com uma amiga em que tratava da posição que adotamos ao escolher nossos representantes durante as eleições. Sem perceber, e adotando um posicionamento de defesa referente ao meu, e ainda demonstrando insatisfação e até mesmo revolta com a política brasileira, dizia que “todos são assim mesmo, na primeira oportunidade estão roubando igual ao anterior”. Insistia ainda que votaria em determinado candidato, mas sabia que ele era corrupto “como todos”, e que não votaria no meu candidato porque sabia que ele faria o mesmo que o candidato dela, antecipando uma suposta frustração. A essa altura, eu já não sabia se ela estava, por algum motivo, condenando meu candidato ou se estava me condenando por tê-lo escolhido.

Quando interpelada por mim acerca dos motivos dessa corrupção, ela justificou dizendo simplesmente que isso vem “lá de trás”! O que é estranho! Acabamos adotando aquele chavão famoso que só pode ter sido criado por algum político corrupto: “ele rouba, mas faz”.

Fico me indagando quando, na história de nossa sociedade, passamos a achar que tudo isso é normal e que todos roubam, e ainda assim continuamos a votar naquele mesmo que “rouba, mas faz”. E me pergunto: o que nos diferencia deles? Em que somos diferentes se votamos conscientes de que são corruptos, ladrões, imorais. Onde está o exercício da cidadania? Votar não é cidadania, votar com responsabilidade e comprometimento, isso sim, é cidadania.

Temos que reconhecer, infelizmente, que nossos políticos têm protagonizado situações as mais desonrosas, mas ainda assim é muito complicado generalizar essa pecha a toda categoria. Na escolha do voto, prefiro acreditar que aquele candidato que escolhi fará diferente, porque se eu sei que não o fará, se tenho tanta certeza de que será tão corrupto quanto algumas “figurinhas conhecidas”, então não tem sentido votar nele. Seria assinar um atestado de ignorância ou, mais ainda, de imaturidade e desrespeito à Nação, aos meus pares e a mim mesmo. Mas na decisão devo ainda estar consciente que devo ficar atento ao meu candidato, acompanhando sua gestão ou atuação no legislativo, cobrando, fiscalizando, denunciando, ou ao menos acompanhando suas ações para jamais lhe confiar outro voto se o vejo envolvido em negociatas, sonegações, roubos e até mesmo se já estiver preso. Quando, no Brasil, alguns candidatos costumam concorrer de dentro da cadeia, entendemos que não são exagerados tamanhos cuidados!

Em um pleito, não posso assumir a posição de que todos são iguais, que todos roubam, e que o importante é escolher dentre estes, frutos podres e corrompidos – tal quais os que os escolheram – e ficar ainda feliz quando este bandido que ajudei a dar a “chave do cofre” assume. O importante, segundo esse paradigma, é que ele deixe algo. Que roube bastante, mas faça algo, nem que seja 0,001% do que consumiu para si dos cofres públicos. Aí, cidadão “consciente” que sou, vou poder inflar o peito e dizer: “esse aí, que construiu esse monumento em benefício próprio, fui eu que ajudei a eleger. Ficou rico às minhas custas, mas ‘fez muito’ por nós”. Como está claro, é uma posição extremamente medíocre, limitada, insana.

E mais, se achamos que o problema é falta de opção, então está na hora de procurarmos outras. Cabe aos “bons”, portanto, mostrarem a cara, e a nós, eleitores, dar-lhes o crédito necessário. Precisamos seguir os conselhos de Dom Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, em entrevista à Folha de São Paulo em março de 2007 (extraído Da Revista Veja, edição 2.001, de 28 de março de 2007, seção “Veja essa”) quando disse: “É preciso entrar na política para limpar a política, se achamos que está suja. Não podemos esperar que caiam anjos do céu para governar o Brasil. O asco à política leva ao despotismo.”

Maceió, 10 de outubro de 2008.
Autor: Wellyngton Chaves Monteiro da Silva
Internet: http://mundobr.pro.br/uneal
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O conceito de hora-aula: fique ligado!

28, março, 2010 Comments off
Concernente ao registro de aulas nas cadernetas, docentes e discentes precisam compreender muito claramente dois conceitos muito importantes: hora-aula e hora-relógio. Hora-relógio “é o período de 60 (sessenta) minutos, em convenção consagrada pela civilização contemporânea, não cabendo ao legislador alterá-la sob pena de afetar as bases mesmas de sociabilidade entre indivíduos, grupos, sociedades”, bem definida pelo Parecer CNE/CES n° 575/2001, em uma consulta encaminhada ao Conselho Nacional de Educação sobre o tempo de duração da hora-aula. E a carga horária nas diretrizes curriculares é definida com base nesse conceito, ou seja, em horas de 60 minutos.

Contudo, não é o que acontece com relação à hora-aula, que é mais uma questão de natureza pedagógica, específica de cada instituição, e que a ela cabe administrar, podendo, inclusive, coincidir com a hora-relógio. As horas-aula podem ter a duração que as Instituições de Ensino Superior determinarem nos projetos pedagógicos de seus cursos, “desde que feita sem prejuízo ao cumprimento das respectivas cargas horárias totais dos cursos” (Art.1º, § 2º da Resolução CNE/CES 3/2007). Assim é que podemos ter horas-aula de 40, 45, 50, 55 ou até mesmo 60 minutos. Isso está muito claro na Resolução nº 3, de 2 de julho de 2007, da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação, que “dispõe sobre procedimentos a serem adotados quanto ao conceito de hora-aula, e dá outras providências”. Afirma ainda que “A carga horária mínima dos cursos superiores é mensurada em horas (60 minutos), de atividades acadêmicas e de trabalho discente efetivo”.

Como exemplo, consideremos uma disciplina que tenha uma carga horária semestral de 60 horas (hora-relógio), e a instituição adota uma hora-aula de 50 minutos. Como uma hora-relógio tem 60 minutos, a carga horária dessa disciplina corresponde, portanto, a 60 horas x 60 minutos = 3.600 minutos. Para o cumprimento dessa carga horária, serão necessárias 72 horas-aula, pois que 3.600 minutos ÷ 50 minutos = 72 horas (de 50 minutos). Considerando que os encontros ou dias de aula sejam de 4 horas-aula (em um único dia), isso corresponde a 4 horas-aula x 50 minutos = 200 minutos (por semana). A um ritmo de 200 minutos por semana, até atingir os 3.600 minutos exigidos para cumprimento da carga horária da disciplina, ocorrerão 3.600 minutos ÷ 200 minutos = 18 encontros ou 18 dias de aula no semestre. E não 15 encontros como alguns acreditam e, inadvertidamente, podem registrar. E mais, de acordo com a LDB, a freqüência mínima exigida ao aluno para que ele não seja reprovado por falta corresponde a 54 horas-aula (75% de 72 horas-aula), ou seja, ele poderia faltar a no máximo 18 horas-aula ou a 4,5 dias de aula (4,5 x 4 = 18 aulas). Neste caso, o discente precisa entender que cada dia de falta corresponde a faltar 4 horas-aula, que estarão registrados lá na caderneta.

O processo de avaliação na UNEAL

28, março, 2010 Comments off
Resumo do processo de avaliação discente de acordo com os Artigos 97 a 104 do Regimento Geral da UNEAL:
  • A avaliação do rendimento escolar dos cursos de graduação da UNEAL será feita através de 2 (duas) Avaliações Bimestrais e 1 (uma) Prova Final. E não poderá ser realizada qualquer outra avaliação antes de decorridas, pelo menos, 48 (quarenta e oito) horas da divulgação das notas obtidas pelo discente em avaliações anteriores.
  • O discente terá direito de, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas após a divulgação de cada resultado, solicitar revisão de sua avaliação, por uma comissão de professores designada pelo Colegiado do Curso.
  • Cada Avaliação Bimestral deverá ser limitada aos saberes e habilidades trabalhados no respectivo bimestre e poderá ser resultante de mais de um instrumento de avaliação.
  • A NOTA FINAL das Avaliações Bimestrais será a média aritmética, apurada até centésimos, das notas obtidas nas 02 (duas) Avaliações Bimestrais. E será considerado aprovado, livre de prova final, o discente que alcançar NOTA FINAL das Avaliações Bimestrais, igual ou superior a 7,00 (sete). Bem como será automaticamente reprovado o discente cuja NOTA FINAL das Avaliações Bimestrais for inferior a 4,00 (quatro).
  • O discente que obtiver a NOTA FINAL das Avaliações Bimestrais igual ou superior a 4,00 (quatro) e inferior a 7,00 (sete), terá direito a prestar a Prova Final. Esta Prova Final versará sobre tudo o que foi trabalhado na disciplina ministrada e será realizada no término do semestre letivo. E somente será considerado aprovado, o discente que obtiver MÉDIA FINAL igual ou superior a 5 (cinco). O cálculo dessa MÉDIA FINAL é a média ponderada da NOTA FINAL (NF) das Avaliações Bimestrais (AB), com peso 6 (seis) e da nota da Prova Final (PF), com peso 4 (quatro), tal como segue:

MÉDIA FINAL = [ (NF x 6) + (PF x 4) ] / 10

[Re]lembrando alguns detalhes:

  • O discente que não comparecer a uma das Avaliações Bimestrais terá direito a uma segunda chamada, caso comprove impedimento legal ou motivo de doença. Bem como terá direito a uma segunda chamada o discente que, não tendo comparecido à Prova Final, comprove impedimento legal ou motivo de doença, devendo requerê-la à respectiva Coordenação de Curso, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, após a realização da Prova Final a que deixou de comparecer. A Prova Final em segunda chamada realizar-se-á até 05 (cinco) dias após a realização da primeira chamada.
  • O aluno somente será aprovado se, nesta MÉDIA FINAL, obtiver um mínimo de 5 (cinco); portanto, não confundir MÉDIA FINAL com NOTA FINAL, e tampouco com a nota da Prova Final.