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Reitor reitera compromissos de campanha

Em seu discurso de posse enquanto Reitor da UNEAL para os próximos 4 anos, ocorrido em 14 de outubro, no Palácio República dos Palmares, em Maceió, Professor Jairo José Campos da Costa inicia suas palavras afirmando que “[...] a democracia constrói os seus pilares a partir da capacidade de combate às posturas arbitrárias, às injustiças, à intolerância e, sobretudo, a partir da compreensão de que é no humano que ela se realiza em plenitude”. Mais adiante, continua pontuando alguns compromissos  assumidos durante a campanha, tais como o respeito aos órgãos colegiados, a descentralização da gestão como eixo estruturante do desenvolvimento da autonomia, a transparência das ações, entre outras.

Na oportunidade, aproveita ainda para destacar algumas urgências e desafios para a atual gestão, tais como o resgate à soberania do CONSU, a realização do concurso público para professores efetivos, a implantação de programas Strictu Sensu, a criação da editora universitária, parcerias com outras universidades, entre outras.

Assista ao vídeo com o discurso do Magnífico Reitor da UNEAL, em sua solenidade de posse ou, se preferir, leia todo o discurso que segue abaixo:

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DISCURSO DE POSSE: Magnífico Reitor da UNEAL, Professor Jairo José Campos da Costa

[Saudação a todos os presentes]

Antes de tudo, gostaria de formalizar um especial agradecimento a todos aqueles que confiaram em nosso projeto, ao tempo em que reverencio a todos os que crêem no sublime caminho do fortalecimento democrático para a gestão acadêmica. Afirmo que a democracia constrói os seus pilares a partir da capacidade de combate às posturas arbitrárias, às injustiças, à intolerância e, sobretudo, a partir da compreensão de que é no humano que ela se realiza em plenitude.

Nessa medida, cabe lembrar Paulo Freire, em seu livro Pedagogia da Esperança, 1992, de que “o sonho pela humanização, cuja concretização é sempre processo, e sempre devir, passa pela ruptura das amarras reais, concretas, de ordem econômica, política, social, ideológica etc., que nos estão condenando à desumanização. O sonho é assim uma exigência ou uma condição que se vem fazendo permanente na história que fazemos e que nos faz e re-faz”.

Pois bem, muitas vezes considerada como utopia entre nós, o humano detém em si a capacidade de conduzir certa sensibilidade que nos distancia da barbárie. Digo isso valorizando o conceito de utopia como fundamental para o exercício pleno da vontade coletiva. O que seria de nós se perdessemos a capacidade de nos inquietar com as coisas, de acreditar na construção de uma universidade de excelência e de sonhar com uma resposta afirmativa às demandas desse tão sofrido povo de Alagoas? Essa Terra precisa fazer valer o seu verso: “Alagoas estrela radiosa”.

A título de resgate da memória, gostaria de pontuar, sumariamente, alguns compromissos que assumimos durante nossa tão bem sucedida campanha:

  1. A participação como princípio fundante para a consolidação do fortalecimento dos órgãos colegiados;
  2. A descentralização da gestão como eixo estruturante do desenvolvimento da autonomia, palavra tão discutida entre nós e tão possível de ser materializada, a exemplo de outros espaços acadêmicos em sistemas análogos (vejamos o caso da UEPB);
  3. A transparência total de nossas ações como lugar de esclarecimento e de significativo valor para uma participação efetivamente democrática;
  4. A horizontalização como forma de motivação estratégica do trabalho acadêmico revigorando a ânima dos envolvidos nesse processo como sujeitos históricos dessa universidade em construção;
  5. A valorização dos princípios acadêmicos em seus diálogos multiculturais como ponto de partida para a revitalização dos valores éticos, estéticos e políticos.
  6. A preservação dos direitos de autoria das produções acadêmicas como estímulo às práticas criativas e de respeito às prduções dos nossos pesquisadores.

Assim sendo, considerem-se como urgências e desafios para esse novo momento que ora se inicia entre nós:

  1. O resgate à soberania do Conselho Superior Universitário – CONSU, tão fragilizado nesses últimos tempos;
  2. A realização do concurso público para professores efetivos que alavancará a prática do ensino, da pesquisa e da extensão e corrigirá o curso das relações de trabalho hoje um tanto equivocadas. (A regra virou exceção e a exceção a regra).
  3. A implantação de programas Strictu Sensu, condição sine qua non para que continuemos com a chancela de Universidade.
  4. A liberação da nossa quota de recursos para investimentos que há bom tempo é neglicenciada por parte dos últimos governos de Alagoas para a consolidação das reformas estruturais necessárias.
  5. A valorização da consciência de classe a partir de políticas justas de salário, revisitação do nosso Plano de Cargos e Carreiras – PCC, a participação efetiva dos discentes na realização dos Projetos Políticos Pedagógicos – PPP dos cursos e em todos os momentos da vida acadêmica.
  6. A ampliação da oferta de cursos de acordo com as demandas imediatas da sociedade e não de projetos tendenciosos de políticas partidárias passageiras.
  7. A atualização estratégica do uso das tecnologias, assim como das suas condições estruturais. (Informatização da universidade e UAB)
  8. A criação da Editora Universitária com veículo de valorização e divulgação de nossas produções.
  9. A parceria com universidades brasileiras para a formação continuada de nossos professores e servidores em nível de mestrado e doutorado (MINTER E DINTER);
  10. A ampliação de convênios com vistas à formação inicial e continuada dos professores da educação básica dos municípios e do Estado de Alagoas.
  11. A realização de intercâmbios nacionais e internacionais promovendo o diálogo com centros de excelência diversos.
  12. A criação da comissão própria de avaliação, do CURA, Conselho de Ética, a ouvidoria universitária e o fórum universitário permanente.

Diante deste cenário, somos sabedores de que não será nada fácil construir a universidade que sonhamos. Superação será a nossa palavra de ordem. Sabemos que muitas questões poderão ser encaminhadas com determinação e coragem de enfrentar os problemas. Todavia, para que essa coragem e determinação prosperem será imprescindível contarmos com a vontade política dos diversos segmentos da sociedade organizada e de políticas efetivas de Estado para que possamos contribuir com a diminuição dos estarrecedores indicadores sociais que Alagoas vende, coditianamente, para todo o país.

Enfim, companheiros e companheiras da Universidade Estadual de Alagoas – UNEAL, autoridades presentes, amigos e amigas, esse não é um momento só meu, aqui quem está tomando posse é um projeto que reflete a sensibilidade política de todos aqueles que acreditam em uma universidade em constante diálogo com o mundo em que ela está inserida. Em União dos Palmares, a título de exemplo apenas, vencemos grandes batalhas não somente pela minha capacidade de sonhar isoladamente, mas pela capacidade de construirmos coletivamente um projeto cidadão de viver a academia.

Quando nego a minha capacidade de sonhar isoladamente, ressalto toda a sabedoria que herdei de minha família que hoje, com as bênçãos de Deus, encontra-se aqui presente, e das comunidades de base, que fiz parte ao longo de minha história.

Faço questão de registrar, sem querer ser autoritário, que as vozes presentes nessa minha fala traduzem a expectativa emergente dessa universidade em caminhar na direção da inclusão de Alagoas em modelos societários desenvolvimentistas no mundo contemporâneo. Ela nega outras vozes que entendem que os modelos restritivos sejam sinônimos de responsabilidade em qualquer instância.

Esclareço a todos os presentes, neste momento sublime de vivência acadêmica, em que a emoção toma conta de mim, que me reconheço como sujeito aprendente, nos termos de Paulo Freire, posto que aprendi e pretendo continuar aprendendo com a alta capacidade que esta comunidade tem de intervir na realidade. Aprendi com vocês, alagoanos e alagoanas, que integram a UNEAL o verdadeiro significado da palavra práxis.

Sem querer concluir, os próximos quatro anos demandarão um movimento de todos rumo à excelência acadêmica, quando um outro companheiro assumirá o poder de representatividade de uma gestão democrática em constante processo de materialização.

Como já foi dito por nós durante a campanha nos entremeios de nossa UNEAL, compreendemos que se arquitetarmos um projeto de fato democrático, com vistas à busca de nossa autonomia acadêmica e financeira, como em outras universidades estaduais do país, deixando prevalecer a lei do bom senso, da ética, da transparência, do respeito aos professores, profissionais técnico-administrativos e alunos, poderemos encontrar pedras no caminho, e não serão poucas, mas certamente, ao final teremos a sensação de termos contribuído com a construção da grande UNEAL que queremos ter: UMA UNIVERSIDADE CALCADA NO ENSINO DE GRADUAÇÃO E PÓS-GRADUAÇÃO, ARTICULADA COM A PESQUISA E A EXTENSÃO, SENDO RESPEITADA COMO UMA INSTITUIÇÃO PÚBLICA DE FATO E DE DIREITO, VIABILIZANDO AOS ALAGOANOS O DESEJO DO CRESCIMENTO VIA PROCESSO DE AUTONOMIA, ROMPENDO DEFINITIVAMENTE COM O PARADIGMA DA SUBSERVIÊNCIA, DO SILENCIAMENTO, DO MEDO… UMA UNIVERSIDADE MENOS BUROCRÁTICA, MAIS EFICIENTE. UMA UNIVERSIDADE DINÂMICA, VIVA E, FUNDAMENTALMENTE CIDADÃ.

Muito obrigado!

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