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Identidade com chip começará a ser emitida ainda neste ano

9, agosto, 2010 Comments off

Reportagem da Rádio Câmara
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Divulgação/Agência Brasil
Novo documento tem dispositivos contra falsificação.

 

O Instituto Nacional de Identificação (INI) da Polícia Federal pretende emitir, até o final do ano, de 100 mil a 200 mil registros de identidade civil (RIC), a nova carteira de identidade equipada com um chip que vai permitir ao cidadão exercer todos os seus direitos com um único documento. Ainda não está prevista, no entanto, a data de início da emissão dessas carteiras.

Além de simplificar a vida do brasileiro, o RIC traz dispositivos contra a falsificação, o que evitará fraudes a partir do roubo da carteira de identidade. O novo documento também permitirá a criação de um banco de dados único com as digitais dos brasileiros, compartilhado entre os órgãos de segurança dos estados e dos municípios.

“Isso vai aumentar muito a eficácia da perícia criminal brasileira e tornar realidade o que hoje se vê nos programas de televisão sobre laboratórios criminais”, disse o deputado William Woo (PPS-SP), autor de uma emenda que viabilizou os convênios para confecção do documento.

“A Polícia Federal não tem pessoal nem postos suficientes para emitir a carteira em todo o território nacional. Era preciso permitir o convênio com os estados, assim como ocorre nas emissões das carteiras de motorista”, argumenta o deputado.

Atualmente, dos 26 estados brasileiros, 19 já estão conveniados e outros 5 manifestaram o interesse de se credenciar.

Custos de implantação
O custo da nova tecnologia, de acordo com o INI, é de aproximadamente 800 milhões de dólares (R$ 1,4 bilhão) para instalação do projeto e emissão de 170 milhões de carteiras. Essa despesa ficará a cargo da União.

“É um valor relativamente pequeno, se for levado em consideração que os bancos investem R$ 1 bilhão por ano em tecnologia para garantir a segurança na identificação dos clientes, de acordo com a Febraban [Federação Brasileira dos Bancos]“, disse o assessor do INI Paulo Ayran.

O comitê responsável pelo novo documento foi instalado na última quinta-feira (5). Esse comitê voltará a se reunir no dia 25 de agosto para começar as discussões sobre o cartão a ser adotado, com base em um modelo já desenvolvido pelo Instituto Nacional de Identificação.

A previsão é que, em nove anos, todos os documentos emitidos no País estejam nesse novo modelo.

A nova identificação foi prevista pela Lei 9.454/97, criada a partir de um projeto do senador Pedro Simon (PMDB-RS). Mas a proposta só pôde ser colocada em prática a partir do ano passado, depois que a lei foi alterada por emenda do deputado William Woo à Medida Provisória 462/09.

Além disso, a regulamentação da Lei 9.454/97 só ocorreu em maio deste ano, o que atrasou o cronograma do INI. Inicialmente, a previsão era emitir 2 milhões de documentos ainda em 2010.

Reportagem – Carol Siqueira
Edição – Pierre Triboli
FONTE: Rádio Câmara, da Câmara dos Deputados. Disponível em http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/149977-IDENTIDADE-COM-CHIP-COMECARA-A-SER-EMITIDA-AINDA-NESTE-ANO.html. Acesso em 9 ago. 2010.
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Especialistas defendem “tratamento de choque” para a educação

3, agosto, 2010 Sem comentários

Artigo da Academia Brasileira de Ciências
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Dos 135 milhões de brasileiros que deverão votar nas eleições gerais de outubro, cerca de 20% – ou 27 milhões – são analfabetos ou não têm escolaridade. Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que retratam a situação da crítica da educação no país, foram apresentados pelo professor Nilson Machado, da Faculdade de Educação da USP, durante mesa-redonda em 27/7, na 62ª Reunião Anual da SBPC.

“Em 2002, 26% dos eleitores eram analfabetos ou não tinham escolaridade. Em 2006, eram 23%. Agora, são 20%. Está melhorando, mas não dá para a gente se conformar com esse ritmo de mudança. Se continuarmos, acabaremos com os eleitores analfabetos apenas daqui a sete eleições”, alerta Machado.

O evento na Reunião Anual reuniu especialistas na área da educação com objetivo de refletir sobre a necessidade de uma inflexão do setor. Para isso, concordaram os participantes da discussão, são necessárias mudanças amplas e urgentes.

O coordenador do GT-Educação da SBPC, o Acadêmico Isaac Roitman, considera que todo o sistema precisa ser revisto, desde a primeira infância até a pós-graduação. Roitman mostrou dados referentes ao que chama de “tragédia” – que mostram, entre outros aspectos, o baixo índice de alunos que chegam ao ensino médio e a alta taxa de abandono da escola, especialmente nas regiões Nordeste e Norte; as péssimas colocações do Brasil em exames como o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) e em avaliações da Unesco sobre repetência; a diminuição do número de formandos em carreiras do magistério; e as precárias condições de infraestrutura das escolas e de trabalho dos docentes.

Para Nilson Machado, da USP, o país necessita de um projeto nacional que tenha como objetivo imediato a universalização da educação básica – que inclui do ensino infantil ao médio. Para isso, propõe Machado, é necessário um mutirão que reúna todos os atores envolvidos com a educação, durante um período de três a cinco anos para produzir uma inflexão e outro intervalo temporal igual para consolidar as metas.

“A educação precisa de um tratamento de choque. É incompreensível termos uma pós-graduação e pesquisa com reconhecimento até internacional em algumas áreas, e termos um ensino básico com a que existe atualmente”, lamenta.

Seguindo esse propósito de fazer um mutirão pela educação, a SBPC criou, em 2008, o grupo de trabalho (GT-Educação) para pensar soluções de médio e longo prazo para o setor. No ano passado, a entidade lançou o movimento “Pacto pela Educação”, ampliando as ações do GT, que tem representantes da academia, do setor empresarial, de entidades estudantis e da sociedade civil.

Outro ponto ressaltado na mesa-redonda foi a questão dos modelos pedagógicos utilizados pelas escolas brasileiras. Fernando Becker, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), defende uma reformulação profunda na formação dos professores, já que, a seu ver, o modelo atual é o de apresentar o conteúdo e mandar o aluno repetir. “A escola tem que se transformar cada vez mais em laboratório e cada vez menos em auditório”, provoca Becker.

Com relação aos investimentos no setor, os especialistas concordam que os recursos existentes são, mais que insuficientes, mal aplicados. Para eles, seria possível até mesmo quadruplicar o salário dos professores da educação básica, cujo piso atual está próximo de R$ 1.000. Uma proposta seria a adoção de remuneração diferenciada para docentes com mestrado e doutorado – o que propiciaria uma transição gradual para atingir um padrão salarial e incentivaria o aperfeiçoamento dos professores.

O debate sobre educação foi mediado pela professora Araci Assinelli da Luz, do Departamento de Teoria e Prática de Ensino da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que alertou sobre a importância de a sociedade como um todo se mobilizar em favor das mudanças necessárias à educação no país.

GT-Educação da SBPC quer apresentar propostas ao próximo governo

O grupo de trabalho (GT-Educação) criado pela SBPC para discutir e propor ações para a educação no país pretende consolidar propostas, principalmente voltadas ao ensino básico, que serão entregues ao próximo presidente da República.

A intenção é reunir uma série de ações práticas e estratégias de desenvolvimento dessas ações nas seguintes dimensões: o professor; conteúdos e processos pedagógicos; infraestrutura; gestão; avaliação; e integração com a sociedade.

O coordenador do GT, Isaac Roitman, informou que o objetivo é consolidar as propostas até fevereiro de 2011. O próximo passo será a elaboração de indicadores para avaliar se as medidas sugeridas estão sendo postas em prática e quais são seus resultados.

(Daniela Oliveira para o Jornal da Ciência, 28/7/2010)

FONTE: Academia Brasileira de Ciências. Disponível em http://www.abc.org.br/article.php3?id_article=735. Acesso em 3 ago. 2010. (Todas as matérias deste site podem ser reproduzidas, desde que citada a fonte).

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Por que tão poucas jovens escolhem o caminho da Ciência?

12, julho, 2010 Sem comentários

Artigo da Academia Brasileira de Ciências
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Por que tão poucas jovens escolhem o caminho da Ciência?

7/07/2010

A pesquisadora argentina Nora Gómez Zaffini, professora da Facultad Latinoamericana de Ciencias Sociales (Flacso), iniciou sua apresentação esclarecendo do que falamos quando tratamos de gênero. “Gênero não é sinônimo de mulher. É uma categoria analítica, um princípio ético-político, um modelo de intervenção social. Alude a uma relacão de poder que envolve tanto as mulheres e/ ou o feminino como aos homens e/ou o masculino.”

As mulheres na história da Ciência

Nora observou que numa enciclopédia com mais de mil cientistas só aparecem três mulheres. “Porque não as conhecemos? Será que outras mulheres participaram do desenvolvimento da C&T?” Sim, elas existiram e participaram. Mas na história do pensamento filosófico humano as mulheres já foram consideradas menos inteligentes, com menos coragem, com temperatura corporal mais baixa ou mais instáveis, fatores que atrapalhariam o trabalho científico. Na Mesopotâmia, no entanto, foram astrônomas e químicas; no Egito foram médicas, antes da Medicina ser reconhecida como ciência; na Grécia, eram filósofas e matemáticas; em Roma foram ginecologistas e alquimistas; na Idade Média, conhecidas botânicas e médicas; nos séculos 16 e 17 escreveram sobre temas da saúde sexual, de ginecologia e de obstetrícia. “Porém, podiam até discutir nos salões sobre Ciência, mas não podiam pertencer às Academias de Ciências”, apontou Nora.

Nos séculos 18 e 19, algumas mulheres se destacaram na Astronomia e na Matemática, como Sophie Germain e Ada Lovelace. No século 20, onze mulheres ganharam o Prêmio Nobel em Física, Química, Medicina e Fisiologia. Rosalind Franklin participou da descoberta do DNA – mas os dois homens envolvidos na descoberta foram premiados e ela não. “Entre os estereótipos atuais está o de que as mulheres são muito emotivas e por isso não têm muito jeito para as ciências duras.”

Estereótipos reforçados no cotidiano

Nora referiu-se ao que chamou de “currículos ocultos”. Quando se diz a um menino que homem não choram, está sendo ensinado que homens não devem mostrar seus sentimentos. “Quando damos ao menino o laboratório de química e para a menina uma boneca, ou quando cai água no chão e mandamos uma menina e não um menino limpar, estamos educando, passando os valores do currículo oculto”.  Ela observou também que as características que usamos para valorizar as qualidades das meninas e dos meninos são diferentes, reforçam os estereótipos. “Fulana é caprichosa, Fulano é curioso. Fulana é bonita, Fulano é inteligente”. Na Matemática, segundo Nora, há uma crença de que os meninos têm mais habilidade do que as meninas para o raciocínio abstrato. “Quando não mostramos e não falamos sobre alguma coisa, estamos ensinando algo.”

Partindo da premissa de que o aprendizado de modo geral é facilitado por sua relação com atividades do cotidiano da pessoa, “para meninas pode-se usar moldes de costura para ensinar Matemática, receitas culinárias para ensinar Química, o ciclo menstrual para ensinar Biologia”, ilustrou Nora. Para ela, a principal dificuldade encontrada pelas mulheres quando abraçam a carreira científica é administrar seu trabalho sem abrir mão de serem mães e esposas. Nesse caso, não se estaria reforçando o estereótipo, mas associando a Ciência ao dia-a-dia. “As mais jovens são as que mais se interessam por Ciência, porque o papel do homem em casa também mudou. Então atualmente o conflito é menor”.

Barreiras subjetivas

Ela concorda que o acesso das mulheres à ciência e tecnologia vem crescendo significativamente com o passar dos anos. Mas será que sua capacidade de influir na tomada de decisões a respeito das aplicações e dos usos dos avanços em C&T vem crescendo na mesma proporção?  Será que as opiniões, valores, necessidades e aportes das mulheres estão representados e incluídos nos debates atuais sobre o desenvolvimento científico e tecnológico? Nora Zaffini acha que não.

A pesquisadora destacou as barreiras culturais subjetivas com relação a mulheres cientistas, baseada em pesquisa de Maria José Casado, intitulada ‘Las damas del laboratorio: mujeres cientificas em la historia’.  “Elas se percebem como mulheres excepcionais, se impõem altas expectativas e exigências quanto ao próprio desempenho, tendem ao afastamento de sua atividade de pesquisa, justificam condições de trabalho injustas pela sua vocação, correspondem ao estereótipo da boa aluna que se comporta bem para ser reconhecida, têm medo do confronto, de manifestar desacordos e de expressar emoções.”"

O que sugere a Unesco

As recomendações da Unesco para se lidar com o tema são muitas. Nora destacou algumas, como a renovação da história da ciência com a inserção das mulheres; o apoio aos estudos de gênero relacionados ao desenvolvimento do conhecimento científico e tecnológico; a inserção do tema igualdade de gênero como tema transversal em projetos interdisciplinares; a integração dos aportes de gênero aos conteúdos curriculares e a didática de C&T; a criação de redes e ações coordenadas para integrar esse enfoque à formação básica e contínua do professorado e nas políticas educacionais. “A idéia e fazer uma ciência mais rica, mais válida e mais sensível aos desejos, necessidades e expectativas de toda a humanidade”, concluiu Nora.

(Elisa Oswaldo-Cruz para as Notícias da ABC)

 

FONTE: Academia Brasileira de Ciências. Disponível em http://www.abc.org.br/article.php3?id_article=721. Acesso em 9 jul. 2010. (Todas as matérias deste site podem ser reproduzidas, desde que citada a fonte).

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O reconhecimento da união estável entre pessoas do mesmo sexo

28, junho, 2010 Sem comentários

Reportagem da Rádio Câmara
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A mudança de costumes bate à porta dos poderes da República. A questão do reconhecimento de direitos civis em uniões de pessoas do mesmo sexo saiu da esfera do ativismo segmentado.

Hoje, os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário debatem o assunto acaloradamente e caminham em direções diferentes.

Enquanto o INSS já reconhece direitos previdenciários para relações homossexuais a a Justiça tem repetidamente reconhecido as uniões estáveis, no Congresso, as leis sobre o tema enfrentam resistência para serem aprovadas. Na Câmara e no Senado, ao menos 15 proposta tramitam no sentido de reconhecer direitos para os homossexuais.

O Judiciário resolveu não esperar. Para a vice-presidente do Instituto Brasileiro de Direito de Família, Maria Berenice Dias, o Congresso perde espaços de poder ao não se manifestar sobre alguns temas.

“Diante dessa omissão do nosso legislador, o Judiciário está, não legislando, mas suprindo essa lacuna do legislador. Ou seja, está regulamentando, está regrando as uniões, aonde se reconhece a união, o direito sucessório, o direito de ser nomeado inventariante, o direito de partilha de bens, e isso não só nos tribunais estaduais e federais, mas no próprio Superior Tribunal de Justiça, que desde o ano de 1998 admite as uniões e a partilha de bens.”

Mas alguns parlamentares discordam desse entendimento. Sobre a recente decisão do STJ de permitir a adoção de duas crianças por um casal de lésbicas, o deputado João Campos, do PSDB de Goiás, se manifesta.

“Nem cabe aquele discurso vazio de que como o Poder Legislativo não trata de determinadas matérias, então o Judiciário termina acudindo. Não é verdade, porque a lei de adoções é muito recente, ela entrou em vigor em agosto do ano passado e esse assunto de adoção por homossexuais foi tratado naquele projeto. E essa casa de forma praticamente unanime extirpou os artigos que tratavam dessa matéria, o Senado confirmou, e em data muito recente.”

Estão em análise na Câmara várias propostas que reconhecem a união estável entre pessoas do mesmo sexo. Uma delas é o Estatuto das Famílias, de autoria do deputado Sérgio Barradas Carneiro, do PT baiano.

Na Comissão de Seguridade Social e Família, o relator José Linhares, do PP do Ceará, alterou o texto e retirou todas as menções sobre uniões homossexuais.

O parlamentar, que também é padre, argumenta que pesquisa da Fundação Perseu Abramo diz que para 58% dos brasileiros, a homossexualidade é um pecado contra as leis de Deus. No entanto, Sérgio Barradas Carneiro defende que questões religiosas não podem impedir o exercício de direitos.

“A despeito de todas essas questões religiosas, é preciso que as pessoas reconheçam que existem pessoas homossexuais na nossa sociedade, existem pessoas do mesmo sexo que vivem juntas, existem crianças que foram adotadas ou até são filhos biológicos de uma das pessoas que se assumiram como homossexuais, e todas essas relações têm consequências patrimoniais, previdenciárias e sucessórias, dentre outras. Essas pessoas não podem ter esses direitos negados.”

Mas em audiência pública na Câmara que debateu o Estatuto das Famílias, o pastor da Assembleia de Deus, Silas Malafaia, também criticou a união civil.

“Família, na Constituição artigo 226, é um homem e uma mulher. A família nuclear, como é chamada, é um homem, uma mulher e sua prole, é isso que faz a raça humana progredir e continuar. Nós não somos contra homossexuais. Cada um tem o direito de ser o que quiser, eu não debato isso. Eu debato eles quererem um direito que toda a história da civilização me diz o contrário.”

O artigo 226 da Constituição diz que o Estado deve proteger a união estável entre o homem e a mulher, sendo que também é reconhecida como família aquela formada por apenas um dos pais. Mas os defensores da união civil lembram que todos são iguais perante à lei e que impedir direitos fere a Constituição.

Em resposta ao argumento que a união de pessoas do mesmo sexo é um ataque à família brasileira, o presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbica, Bissexuais, Travestis e Transexuais, Toni Reis, defende que hoje as famílias têm desenhos variados e que o legislador não pode fechar ao olhos para o fato de que casais do mesmo sexo vivem juntos e tem conseguido adotar crianças com autorização da Justiça.

“Não queremos destruir a família de ninguém, nós queremos construir a nossa e da nossa forma. Eu acho que existem famílias para todos os gostos e tipos. Não só existe um tipo de família tradicional. Hoje nós temos a mãe solteira, nós temos o filho que mora com a avó, com a tia, tem outros arranjos familiares, é uma realidade que o legislador não pode colocar debaixo do tapete.”

Argentina, Uruguai, Portugal e Espanha são alguns dos 42 países que já reconhecem direitos civis para uniões homossexuais. Esse é um debate que certamente estará na agenda do Congresso e da sociedade brasileira.

De Brasília, Daniele Lessa

quarta-feira, 23 de junho de 2010

FONTE: Rádio Câmara, da Câmara dos Deputados. Disponível em http://www.camara.gov.br/internet/radiocamara/default.asp?selecao=MAT&Materia=107251. Acesso em 28 jun. 2010.

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Especial família: novos modelos

28, junho, 2010 Sem comentários

Reportagem da Rádio Câmara
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“A filha do meu marido é a Zara, a minha filha é a Clara, e a nossa filha é a Helena. E o irmão da minha filha pelo meu primeiro marido é o Thiago. Então na verdade são quatro crianças nesse mosaico, né?”

A família da Ana Cláudia mostra um pouco da diversidade da vida moderna. Se antes era muito normal desenhar a família com o pai, a mãe e os filhos, hoje existe a preocupação de considerar outros arranjos como parte da sociedade atual.

Novos casamentos com filhos de relações anteriores, casais homoafetivos, crianças educadas pelos avós ou tios – se antes tudo isso era estranho, hoje pode ser apenas família.

Música/Palavra Cantada: “Quando a estrela acende, Ninguém mais pode apagar. Quando a gente cresce, Tem o mundo pra ganhar: – Brincar, dançar, saltar, correr. Meu Deus do céu, onde é que eu vim parar?”

Neste ano de 2010, o relatório Desenvolvimento Humano do Pnud, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, destacou a imensa importância da família. Mas o coordenador do relatório, Flávio Comim, aponta que antes de tudo é preciso trabalhar com um conceito amplo de família.

“A nossa definição de família é uma rede de cuidados e de afeto, o que significa que você pode estar com pai, mãe, irmão e irmã e se não tem essa rede de cuidado e afeto você não está numa família, como pode ser se você vive com a sua avó, ou dois pais ou duas mães e tem esse cuidado e esse afeto, você está numa família.”

E por que a Organização das Nações Unidas foi pesquisar a família brasileira? Porque eles perguntaram a mais de meio milhão de pessoas o que precisaria mudar no Brasil para a vida melhorar de verdade. E uma das respostas mais mencionadas foram os valores.

Ao colocar a atenção sobre valores, a pesquisa concluiu que eles são guias de ações formados na prática do dia-a-dia, e essas ações podem ser positivas ou negativas.

Flavio Comin destaca que a maior contribuição da família é relacionar as pessoas com as práticas. Seja o pai, a mãe, o padrasto ou a avó, é agindo que eles transmitem práticas de solidariedade, gratidão e ética.

“Você chega para uma criança e diz: meu filho, não faça isso. E daqui a pouco o seu filho observa que você está fazendo isso, o conselho que você deu fica no conselho, ele não é traduzido na prática, porque ele vê que na prática outros valores são utilizados. Então essa dimensão de que valores dependem muito das práticas, das vivências, das experiências que as pessoas têm, é o que nos deu uma ótica para entender melhor o papel das famílias.”

Se o papel da família também é passar os valores adiante, como isso acontece nesse mundo tão rápido onde os próprios valores estão em xeque? A tecnologia apresenta uma novidade a cada dia e há pressa em querer trocar o velho pelo novo.

Hoje, os relacionamentos também são considerados velhos quando as novidades ficam escassas. Se em décadas passadas o casamento era visto como indissolúvel, hoje as famílias se fazem e desfazem, e essa é uma questão a ser conversada, como explica a psicóloga Vera Regina Miranda.

“Então os valores estão muito mais para o indivíduo, da busca do prazer individual mais do que da manutenção desse grupo que teria que ser preservado, vamos dizer assim. Agora, independente disso, que é um fato, não é porque o mundo está rápido, que os jovens ficam e talvez se aprofundam cada vez menos, que os pais não vão conversar sobre essas coisas, sobre o que se ganha e o que se perde.”

Em tempos onde as famílias mudam rapidamente, a imagem do masculino e do feminino se transforma. Pais ou mães criando os filhos sozinhos, casais do mesmo sexo que conseguem direito de adoção, tudo isso suscita o questionamento de como ficam os papéis dentro de casa.

Ainda que essa divisão do que seja masculino ou feminino esteja mudando junto com a família, para Vera Regina, o importante é que as funções do pai e da mãe estejam presentes, mesmo que sendo exercidos por outras pessoas.

“Então o que é função materna? É aquela ligada à acolhimento, à carinho, à dar continência, a dar colo, ao senso do pertencimento, e o que é função paterna? É aquela que tem a ver com disciplina, norma, regra. Pai e mãe devem exercer função materna e paterna, devem os dois. Sempre vai ser importante alguém que assuma a função de pai ou de mãe de dar afeto e de dar limite, independente do sexo que eu tenha e independe da minha condição: sou pai, sou mãe.”

A família está mudando sim, mas sempre é tempo de celebrar a sua existência. E Ana Cláudia, que abriu essa reportagem contando de sua família mosaico, anuncia que vai se casar, e quem convida são as filhas: Clara, do seu primeiro casamento, Zara, do primeiro casamento de seu atual marido, e a caçula Helena, filha dos dois.

“A gente decidou oficializar a união até por elas, para elas terem a relação familiar bem definida. É o padrasto da Clara, e eu sou a madrasta da Zara, não é um namorado, apesar de a gente já viver junto. Então a gente resolveu fazer um casamento e elas que estão convidando. O convite é Zara, Clara e Helena convidam para o casamento dos pais, Ana e Fred. Estão todas animadíssimas porque vão ser damas de honra.”

Que continuemos celebrando essa fantástica invenção que são as famílias, de todos os jeitos que possam existir.

De Brasília, Daniele Lessa

quarta-feira, 23 de junho de 2010

FONTE: Rádio Câmara, da Câmara dos Deputados. Disponível em http://www.camara.gov.br/internet/radiocamara/default.asp?selecao=MAT&Materia=107241. Acesso em 28 jun. 2010.

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